Informações sobre hanseníase, causas, sintomas e tratamento da hanseníase, identificando práticas que possam contribuir para a sua cura.


Preconceitos relativos a portadores de hanseníase

Ao longo da história, o desconhecimento geral - do público, das autoridades, dos profissionais de saúde e dos próprios pacientes - tem levado ao estabelecimento de preconceitos e estigmas sociais em relação a inúmeras doenças. É um processo que dificulta a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e a vigilância epidemiológica, criando sérios problemas de saúde pública e levando a agravos físicos, psíquicos e sociais que poderiam ser evitados, muitas vezes com relativa facilidade.
A hanseníase, conhecida durante séculos como “lepra”, carregou sempre consigo um estigma extremamente forte de sujeira, podridão, pecado e castigo. O conceito de lepra trazia em seu bojo profunda confusão, em que se misturavam à hanseníase quadros de psoríase, vitiligo, dermatite de contato, elefantíase e outras patologias que apresentam deformações, incapacidades e lesões de pele ou de nervos, todas vistas historicamente como uma única doença, sem tratamento conhecido. Tal confusão persiste parcialmente até os dias atuais.
Sendo a hanseníase, dentre as doenças infecto-contagiosas, aquela que apresenta o mais baixo risco de contágio e tendo, hoje, um tratamento efi caz que, quando realizado precocemente, pode evitar as deformações anatômicas que sempre a caracterizaram, já não se justifica a lógica de isolamento social imposta historicamente aos seus portadores.
Hoje, o Ministério da Saúde, no Brasil, tem um Programa Nacional de Controle e Eliminação da Hanseníase. Os casos diagnosticados nos Postos de Saúde e nos hospitais são encaminhados aos Centros de Referência deste programa, onde o diagnóstico é confirmado e o tratamento é iniciado.
É um programa muito bem organizado e bem pensado, que tem logrado diminuir os índices de prevalência e incidência da doença em muitas regiões do país. Entretanto, alguns problemas que interferem em sua eficácia e, especialmente, na continuidade dos tratamentos individuais, têm se apresentado.
Em primeiro lugar, o desconhecimento e o preconceito, que persistem. Ainda que hoje muito mais se saiba a respeito da hanseníase, encontramos grande número de pessoas que, por exemplo, acreditam que esta esteja totalmente erradicada do país e/ou do mundo. Ou que as deformações que dela podem decorrer sejam inevitáveis, e que seu contágio seja rápido e fácil.
Está claramente identificada a necessidade social de desconstrução do preconceito que ainda cerca a hanseníase, e deve ser reconhecida a imensa dívida das autoridades e da sociedade com esse grupo durante tanto tempo, e ainda hoje, discriminado e isolado do convívio social, alienado de seus bens, seus entes queridos e seu direito ao exercício profissional. Estes aspectos justificam socialmente a pertinência do presente projeto.
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